Quando ser a vilã é mais divertido do que ser a heroína perfeita
Se você já leu algum isekai, romance de reencarnação ou qualquer mangá onde a protagonista é uma santa pura e intocável, provavelmente já quis dar uns tapas na cara da “mocinha perfeita”. Aquela que chora por qualquer coisa, que é idolatrada por todo mundo só porque nasceu com olhos brilhantes e cabelo digno de propaganda de shampoo, mas que não sabe nem amarrar o cadarço sem ajuda. Pois bem: se você está cansado desse clichê enjoativo, Today the Villainess Has Fun Again é o antídoto que você estava esperando.
Aqui, o protagonismo não é da mocinha de luz celestial, mas sim da vilã — aquela personagem que geralmente é feita para apanhar, ser humilhada em público e perder o noivo para a heroína. Só que desta vez, a vilã não está interessada em seguir o script. Pelo contrário: ela decidiu que vai se divertir, sem se importar com as expectativas da sociedade, do roteiro ou dos leitores que esperavam drama.
E eu garanto: acompanhar essa mulher é como assistir uma versão aristocrática de KonoSuba, mas com mais veneno e menos explosões aleatórias de Megumin.
Minha não tão humilde opinião:
O que é esse mangá afinal?
Today the Villainess Has Fun Again segue a história clássica de reencarnação em um romance de fantasia. A protagonista acorda no corpo da vilã de uma novel romântica. Normalmente, esse seria o início de uma tragédia: todos esperariam que ela fosse perseguida pelo príncipe, humilhada na frente da corte, exilada, e no final, morta em algum beco qualquer enquanto a heroína virtuosa vive feliz para sempre.
Mas, ao contrário do que os deuses do clichê planejavam, nossa vilã reencarnada não dá a mínima para seguir o roteiro. Ela não está preocupada em “corrigir seu destino trágico” como outras protagonistas do gênero. Não, não, não. O lema dela é simples: “Já que eu sou a vilã, vou aproveitar cada segundo disso!”.
E é aqui que a diversão começa: ela passa a usar a liberdade da sua “má reputação” para fazer exatamente o que quiser, sem a menor preocupação com o que vão pensar dela. Intrigas sociais? Azar. Olhares tortos da corte? Dane-se. A heroína chorona achando que vai roubar o noivo? Que leve o príncipe! Nossa vilã prefere gastar o tempo com vinho caro, doces extravagantes e aproveitando o fato de que ser odiada lhe dá a liberdade de ignorar todas as convenções sociais.
É um sopro de ar fresco nesse mar de romances açucarados onde todo mundo tem que andar na linha para conquistar o amor verdadeiro.
Por que ler Today the Villainess Has Fun Again?
1. Porque ser vilã é infinitamente mais divertido
Quem nunca torceu pela vilã em um anime ou mangá? Admita: a vilã sempre se veste melhor, fala melhor e tem uma presença muito mais marcante do que a mocinha padrão. É como comparar Esdeath (Akame ga Kill) com a Mine (Akame ga Kill). Vamos ser sinceros: alguém lembra da Mine? Pois é.
Aqui, a vilã finalmente pode brilhar sem estar acorrentada ao estereótipo de “castigo divino”. Ela pega tudo o que seria usado contra ela — sua fama, seu título, seu suposto destino de fracasso — e transforma em combustível para viver a vida como uma comédia aristocrática.
2. Porque ela é basicamente uma anti-Bela Adormecida
Em muitos isekais, a protagonista acorda assustada, chora, promete mudar e começa a viver com medo de cada passo que dá. Nossa vilã? Ela acorda, olha para a situação e pensa:
“Ótimo, sou rica, tenho poder, ninguém gosta de mim e isso significa que não tenho que fingir ser educada. Perfeito.”
Ela é praticamente o oposto daquelas princesas que cantam com passarinhos.
- Os personagens coadjuvantes
Ah, os mangás de vilã reencarnada… eles nunca falham em um detalhe: os personagens coadjuvantes giram em volta dela como se fosse o Sol e eles uns planetinhas carentes pedindo atenção. E olha que nem estamos falando de um Sol qualquer — é praticamente uma supernova de carisma.
Temos a heroína oficial, aquela moça pura, angelical, quase propaganda de sabão em pó. É aquela personagem que, em teoria, deveria ser o centro da trama… mas que, na prática, só existe pra gente comparar e pensar: “nossa, como a vilã rouba a cena sem nem tentar” ou "tem que se fuder muito mesmo".
E, claro, não poderia faltar o príncipe encantado. Encantado até é, mas só se for com a própria burrice. Porque, sinceramente, o rapaz tem menos percepção que uma porta emperrada.
A competição entre o príncipe e o Sovielixo (Remarried Empress) pra ver quem é o mais insuportável é acirrada, mas sejamos justos: o Sovielixo ganha de lavada. Aliás, não só ganha — ele dá um show de escrotice, ultrapassa todos os limites, pega o troféu e ainda sai debochando da plateia. O príncipe? Continua sendo um pamonha, mas perto do outro até parece um amador no esporte da canalhice.
E é aí que entra a parte deliciosa desses mangás: a gente lê não só pela vilã maravilhosa, mas também por essa fauna de personagens que dão vontade de entrar na história e gritar “meu bem, acorda!”.
Mas a cereja do bolo é como a vilã interage com cada um deles. Ela não cai no jogo do ciúme, nem tenta competir. Pelo contrário: quando alguém tenta humilhá-la, ela dá risada, vira as costas e vai procurar algo mais divertido para fazer. É como assistir alguém fechar o jogo na cara do roteirista e dizer: “Não vou jogar nessa sua campanha linear, vou criar meu próprio RPG caótico.” ou simplesmente joga dinheiro até a pessoa não conseguir mais segurar, demonstrando assim o poder e honra da sua família.
Para quem é esse mangá?
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Para quem não aguenta mais mocinhas insuportavelmente puras.
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Para quem gosta de vilãs estilosas e com personalidade de sobra.
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Para quem quer rir da cara dos clichês e ver alguém pisoteá-los com um salto de cristal.
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Para quem adorou coisas como My Next Life as a Villainess: All Routes Lead to Doom! (HameFura), mas gostaria de uma protagonista mais afiada e menos ingênua.
Conclusão: a vida é curta demais para não torcer pela vilã
Today the Villainess Has Fun Again não é só mais um romance isekai. É uma sátira deliciosa de tudo o que já vimos no gênero. É como se o mangá olhasse diretamente para o leitor e dissesse: “Você está cansado das mesmas mocinhas? Pois aqui está a vilã vivendo melhor do que todo mundo.”
No fim, acompanhar essa história é libertador. Você ri, você se identifica e, acima de tudo, você se pergunta por que diabos as vilãs não recebem o protagonismo mais vezes. Porque, convenhamos, ser perfeita é entediante. Agora, ser vilã? Isso sim é divertido.
📌 Palavras finais: Se você nunca leu esse mangá, está perdendo a chance de presenciar uma das protagonistas mais sarcásticas, inteligentes e deliciosamente preguiçosas que já surgiram no universo dos isekais. Vá preparado para rir, torcer por ela e, quem sabe, repensar se realmente quer continuar lendo histórias onde só a heroína brilha.
Porque aqui, meu caro leitor, a vilã não apenas brilha. Ela ilumina o palco inteiro — com sarcasmo, estilo e uma taça de vinho na mão.
Onde Ler?
Tem o Manga




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