Além da Morte: O Renascimento da Assassina - Capítulo 03

 

CAPÍTULO 03 - ALIANÇAS E TRAIÇÕES 

O anoitecer caiu de forma veloz, mas Annchi possuía uma habilidade notável: ela conseguia sair da mansão do clã Xiao sem ser percebida. Dessa forma, sua fuga foi relativamente fácil. 


Ao chegar ao Pavilhão Yi, Annchi entrou pela janela, esperando encontrar um lugar desolado e abandonado. No entanto, ela se surpreendeu ao perceber que o local estava limpo e organizado. 

No quarto em que entrou, uma senhora estava sentada, aguardando a sua chegada. 

— Você deve ser a filha de Annchi Miokda — disse a senhora com uma mistura de expectativa e alívio em sua voz. 

— Conheceu minha mãe? — Annchi perguntou com um brilho de curiosidade nos olhos. 

— Estou à sua espera há muito tempo — respondeu a senhora, sua voz tremendo ligeiramente com a emoção reprimida. — Sua mãe me pediu para cuidar deste lugar até que você viesse. 

— Me dê os detalhes — Annchi exigiu, com a desconfiança crescendo dentro dela. 

— Eu era a babá de sua mãe e uma das servas mais confiáveis — disse a senhora, sua voz carregada de tristeza e remorso. — Infelizmente, não pude protegê-la durante todo esse tempo. Tudo que podia fazer era aguardar a sua vinda. 

Infelizmente, a pessoa que você está aguardando morreu. Eu sou uma pessoa totalmente diferente agora — pensou Annchi, mantendo sua expressão inalterada para não revelar que sua alma agora era Ernika Marattoi, uma assassina que morreu e reencarnou. 

— Minha mãe deu mais alguma instrução? — Annchi perguntou, tentando controlar a desconfiança que sentia. 

— Os detalhes virão — disse a senhora, com um olhar sério e um tom de mistério. — Um jovem veio deixar vários livros para você. Eles estão na biblioteca do andar superior. 

— Obrigada — Annchi respondeu. 

— Não irei mais tomar o tempo da senhorita, minha missão está cumprida — a senhora disse suavemente, com um toque de respeito. — Quando o dia chegar, lhe contarei todas as informações que deseja saber. Até lá, tente ficar mais forte ou essas informações serão apenas um peso para você. — E com uma destreza surpreendente, a senhora desapareceu, deixando Annchi impressionada com suas habilidades marciais.

Annchi subiu as escadas murmurando para si mesma — Não gosto desse mistério todo, me falta informação. Desde que acordei, estou sendo jogada de um lado para o outro — Essa sensação a deixava inquieta. 

O ambiente era sereno, os móveis antigos e bem conservados, e as prateleiras de livros estavam devidamente limpas e organizadas. A biblioteca mais parecia um escritório particular. Annchi acendeu as lâmpadas, que lançaram uma luz suave e aconchegante sobre o cômodo. O local tinha uma atmosfera de tranquilidade e sabedoria acumulada ao longo dos anos. 

Ela notou uma pilha de livros no chão, próxima à mesa. Um leve sorriso se formou em seus lábios. "Jiang cumpriu sua parte do acordo", pensou. Sentou-se à mesa, observando os livros empilhados, e começou a escrever enquanto murmurava baixinho, quase inaudível: — A coisa mais importante é a informação. Para uma garota que viveu a vida sendo intimidada, tudo o que sabe foi o que ouviu dos servos. Que inútil. Ainda assim, parece haver um mistério envolvendo a mãe deste corpo. 

Annchi começou a fazer uma pequena lista no papel, suas anotações revelava a necessidade de clareza: 

- Annchi Miokda
- Clã Xiao
- Os clãs ao redor
- Jiang Yan
- Yui
‐ Casamento
‐ Xiao Ome
- Pavilhão Yi
- Medicina atual
- O veneno de Jiang
‐ O que aconteceu? 

Ela olhou para a lista, sentindo um misto de frustração. Havia tantas peças soltas, tantas perguntas sem resposta. "Por onde começar?", perguntou-se, esfregando as têmporas. 

Annchi pegou o primeiro livro que viu na biblioteca. A capa de couro estava desgastada, mas bem cuidada. Abriu-o e começou a folhear as páginas, absorvendo as palavras escritas à mão. Era um relatório detalhado sobre a organização Akyut, suas alianças, traições e segredos. "O que esse relatório está fazendo aqui?", pensou. 

De repente, uma memória lhe ocorreu. Forçando a mente um pouco, Annchi percebeu que tinha reencarnado 200 anos no futuro. Rapidamente, começou a revirar os livros com uma mistura de frustração e ansiedade. 

— Então, como aquela escória da N-15, morreu? — murmurou, a frustração evidente em seu semblante. Ela queria ter acabado com aquela traidora com as próprias mãos. 

— Se tinha tantos livros, por que ainda pediu os meus? Ganância é uma característica sua? — uma voz risonha surgiu próxima da janela. Era Jiang, olhando-a com um sorriso divertido. 

— Inconveniência é a sua? — Annchi retrucou, de mau humor, não estava afim de ouvir as desdenhas dele. 

Jiang se aproximou e jogou um pergaminho na mesa de Annchi, um brilho malicioso em seus olhos. 

— Trouxe algo do seu interesse — disse ele. — Todas as informações pessoais e do clã do seu noivo. 

Annchi olhou para o pergaminho, seu olhar se estreitando. 

— O que você quer? — perguntou, sabendo que não poderia ser um favor desinteressado. 

— Chun foi envenenado com um veneno antigo. Poderia dar uma olhada? — Jiang falou com um tom sério. Seu guarda apareceu próximo à janela, claramente afetado por envenenamento. 

— Não tem médicos no seu pátio? — Annchi perguntou, a irritação ainda presente em sua voz. 

— Claramente é um veneno antigo — respondeu Jiang, com um toque de sarcasmo ainda presente. 

Annchi suspirou, sua raiva momentaneamente substituída pelo desinteresse. Ela se levantou e foi até Chun, examinando-o rapidamente. Usou uma pequena agulha de prata, espetando rapidamente seu dedo e cheirando o sangue que ficou na ponta da agulha. 

— Jeito estranho de examinar veneno — Chun disse com um pouco de dificuldade na voz. 

Enquanto Jiang observava em silêncio, Annchi estava indiferente à situação do rapaz, seu pensamento focado no mistério de sua nova vida e a frustração de não ter todas as respostas. 

— Vai precisar de quais ingredientes? — disse Jiang, olhando diretamente para Annchi. 

— Nenhum — respondeu ela, com uma calma gelada. 

— Como? Você não sabe qual veneno é? — Jiang perguntou, surpreso. 

Annchi fixou seu olhar em Jiang, seus olhos brilhando com uma mistura de desprezo e astúcia. 

— Jiang, envenenar seu próprio guarda para descobrir minhas habilidades não é um plano muito divertido — ela disse, seu tom de voz gotejando desdém. 

Jiang sorriu de maneira divertida, apreciando o desafio. 

— Como descobriu? 

— Além do veneno ser dos que se dissipam rápido, a menos que tenha sido colocado na comida e imediatamente ingerido, é impossível ser envenenado por ele. Mande-o de volta para seu médico, acredito que o antídoto já está pronto esperando por ele — Annchi explicou com frieza. 

— Uma pena, Chun. Obrigado por sua colaboração, pode ir — disse Jiang, ainda sorrindo. 

Chun, aliviado, saiu rapidamente da sala. Annchi voltou-se para Jiang, seu olhar fixo e intenso. 

— Se tiver mais algum truque, sugiro que pense duas vezes antes de tentar comigo — disse ela, deixando claro que não seria manipulada. 

Jiang a observou por um momento, reconhecendo a frieza implacável em seus olhos. Ele sorriu, um sorriso cheio de desafios. 

— Como está Yui? — Annchi perguntou, sem desviar os olhos dos livros. 

— Está sendo tratada na mansão — respondeu Jiang, sentando-se descaradamente em uma cadeira, um sorriso desafiador no rosto. 

— Quando tudo estiver pronto, devolva-me ela — Annchi disse friamente, ignorando-o enquanto voltava a rabiscar em um novo pergaminho. O silêncio se estendeu por alguns momentos, tenso e carregado. 

— Deve ter sido muito divertido para você, assistir a um drama familiar — Annchi provocou, seu tom ligeiramente sarcástico. 

— Acontece que não foi perda de tempo — Jiang retrucou, com um leve toque de ironia na voz. 

Ela continuou escrevendo, concentrada, e depois de um tempo ergueu a cabeça. 

— Preciso dessas ervas, pode conseguir? — perguntou, entregando uma lista a Jiang. 

— O que eu ganho com isso? — Jiang inquiriu, seu olhar desafiador. 

Annchi rabiscou mais algumas palavras no pergaminho, fechou-o e o entregou para o jovem. 

— A receita do seu antídoto — disse ela, observando a reação de Jiang com um olhar calculista. 

— Não tem medo que depois que eu pegue a receita, eu não cumpra minha palavra com você? — Jiang perguntou, um sorriso astuto surgindo em seus lábios. 

— Independente de ter a receita e as ervas, você não vai conseguir criar o antídoto — Annchi afirmou com uma certeza implacável. 

Jiang riu, apreciando a confiança dela. 

— Sempre cheia de certezas. Vou providenciar para você. A garota vai ser enviada em quatro dias — prometeu ele, levantando-se. 

— Bom negociar com você, Jiang — Annchi respondeu, sem emoção. 

Jiang se virou e saiu, deixando Annchi sozinha com seus pensamentos e seus planos, verificando pela janela, era hora de voltar, pegando alguns livros de medicina e rebolando em seu subespaço, ela iria lê-los depois.

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Jiang saiu do pavilhão Yi com passos rápidos. A escuridão da noite escondia qualquer expressão que o jovem fizesse.

— Chun, como está? — perguntou assim que viu o seu guarda.

Chun, já tendo tomado o antídoto, ergueu o olhar com expressão abatida.

— Mestre, infelizmente não fui de muita ajuda — respondeu, a culpa evidente em suas palavras.

Jiang se aproximou, com um tom firme.

— Da próxima vez, não usaremos esse método.

Chun, com os olhos brilhando de determinação, respondeu sem hesitar — Mestre, eu tomaria veneno no seu lugar várias vezes.

— Eu só falei que iria tomar um pouco... — disse, a voz diminuindo de intensidade, quase como uma brincadeira.

Chun, não se deixando abalar, reafirmou sua lealdade.

— Minha vida é dedicada a protegê-lo, Mestre. — Ele falou com firmeza.

Jiang colocou uma mão reconfortante no ombro de Chun, mostrando um pergaminho ao rapaz — Não foi uma viagem em vão, Chun. Ela me entregou a receita do antídoto.

— Entendo, Mestre. Devo ir imediatamente para conseguir as ervas?

Jiang suspirou, depois de pensar um pouco.

— Traga as ervas que estão escritas nesse pergaminho também— Sua voz era um misto de divertimento e curiosidade.

Chun assentiu, pegando o outro pergaminho — Sim, Mestre.

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Annchi caminhava em direção ao seu pátio, envolta na quietude da noite. A brisa suave trazia consigo o aroma delicado das flores noturnas, criando uma atmosfera tranquila. Ao passar pelo pátio que pertencia a Xiao Ome, Annchi não pôde deixar de reparar na extravagância do lugar, mesmo com a pouca luminosidade.

O pátio de Xiao Ome era um espetáculo de beleza refinada. Lanternas delicadamente esculpidas pendiam dos beirais, lançando um brilho suave e difuso que iluminava os caminhos de pedra polida. Arbustos mesticulosamente podados formavam figuras harmoniosas, e canteiros de flores exóticas, que durante o dia exibiam cores vibrantes, agora cintilavam sob a luz da lua, revelando uma paleta sutil de sombras e nuances prateadas.

Ao fundo, um pequeno lago refletia as estrelas, sua superfície calma apenas interrompida pelo ocasional salto de um peixe, criando ondulações suaves que dançavam com os reflexos luminosos. A água cristalina, cercada por rochas cuidadosamente dispostas, parecia um espelho mágico que aumentava ainda mais a sensação de luxo do local.

Grandes árvores de folhas densas proporcionaram um telhado natural, seus galhos balançavam suavemente, como se murmurassem segredos antigos.

— Agora sei para onde vai o dinheiro que seria meu — disse com desdém, sua voz carregada de desprezo.

De repente, um barulho de gemidos abafados chamou sua atenção. Annchi se aproximou silenciosamente e viu Xiao Ome e o jovem mestre Zou trocando beijos e carícias próximo ao lago. As mãos do jovem mestre Zou passeavam pelo corpo de Xiao Ome sem pudor. Um sorriso apareceu nos lábios de Annchi ao perceber a cena.

— Podemos ir para seu quarto? — perguntou o jovem mestre Zou, beijando o pescoço de Xiao Ome com desejo.

— Não, mesmo que já tenhamos feito, eu só irei fazer agora depois do casamento — respondeu Xiao Ome com a voz abafada, tentando manter algum resquício de decoro.

Annchi sentiu um misto de alegria e satisfação ao testemunhar a traição. Com um olhar vingativo, ela pensou: — Agora, como deveria me vingar desse casal de sem-vergonhas? — Um sorriso satisfeito surgiu em seu rosto.

— Xiao Ome, você sabe o quanto eu te amo. Assim que aquela imprestável da Annchi Yue aceitar cancelar o casamento, eu irei propor a você — declarou o jovem mestre Zou, sua voz cheia de promessas.

— Você me promete? — perguntou Xiao Ome, a esperança brilhando em seus olhos.

— Claro, você é a única pessoa em meu coração — respondeu o jovem mestre Zou, com uma sinceridade aparente.

— Sendo assim... — Xiao Ome puxou o jovem para seus aposentos, sua expressão ansiosa e esperançosa.

Annchi observou a cena com nojo e desprezo, seus pensamentos fervilhando de ideias de vingança.

— Vou sair daqui antes que escute os barulhos das câmaras secretas de alguém — pensou com repulsa, dando meia-volta e se afastando rapidamente.

Enquanto Annchi se retirava, sua mente já começava a formular planos para punir os dois traidores.

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O dia mal amanheceu quando uma das servas de Annchi bateu na porta, acordando-a com urgência.

— Senhorita Annchi, estão aguardando a senhorita no salão principal.

Annchi se espreguiçou e esfregou os olhos, sentindo um leve incômodo pela interrupção tão cedo.

— Tinham me avisado sobre essa reunião matinal? — perguntou, a voz ainda sonolenta e com uma ponta de irritação.

A serva parecia nervosa, hesitando um momento antes de responder.

— Não, senhorita. O jovem mestre Zou chegou acompanhado do jovem Mestre Jiang, dizendo que queria cancelar o casamento. Por isso decidiram a reunião e pediram para chamá-la.

— Prepare meu banho — ordenou, sua voz firme e indiferente.

A serva fez uma reverência rápida.

— Devo avisar que a senhora está indo?

Annchi ergueu uma sobrancelha, uma expressão de desdém passando por seu rosto.

— Não precisa de pressa. Como não fui avisada com antecedência, eles que aguardem 

A serva assentiu, sentindo a autoridade na voz de Annchi.

— Sim, senhorita.

Enquanto a serva se afastava para preparar o banho, Annchi se levantou da cama.

— Pedindo para ser humilhado tão cedo da manhã! — murmurou para si mesma, os olhos brilhando zombaria. — Vamos ver se está com paciência hoje.

Quase metade do dia depois, já banhada e vestida, Annchi caminhou pelo corredor em direção ao salão principal. Cada passo era marcado por uma calmaria sem precedentes. Ao se aproximar das grandes portas de madeira esculpida, entrou no salão, onde aguardavam a Matriarca claramente brava, Xiao Kishi estava fumegando de raiva, acompanhado de Xiao Ina; Xiao Ome e os dois jovens mestres a aguardavam.

Os olhos de mestre Zou se encontraram com os de Annchi por um breve momento, antes que ele desviasse o olhar, claramente desconfortável. Mestre Jiang mantinha uma expressão neutra, mas seus olhos traíam uma curiosidade silenciosa.

— Saúdo a Matriarca, ao Pai e à segunda mãe — começou Annchi, curvando-se respeitosamente. — Saudações aos Jovens Mestres.

Annchi manteve-se calma, um sorriso frio brincando em seus lábios.

— Minha neta Annchi, que bom que chegou — disse a matriarca, com um tom caloroso.

— Annchi que bom que veio — Xiao Kishi disse apaziguando sua raiva.

— Sente-se, minha filha. O jovem mestre Zou quer falar com você — indicou a segunda mãe.

— Irmã mais velha, você demorou tanto — comentou Xiao Ome, com uma leve repreensão.

— Oh, irmã mais nova, acabei demorando mais do que o esperado. Da próxima vez, seria bom se os jovens mestres avisassem — respondeu Annchi, com um tom levemente sarcástico.

— Mesmo assim, Annchi foi desrespeitoso — acrescentou Xiao Ina, a segunda mãe, com desaprovação evidente.

Annchi suspirou, exibindo um semblante de indiferença, o que irritou ainda mais Xiao Ina.

— Entendo, segunda mãe — respondeu Annchi, com pouco interesse, deixando Xiao Ina rangendo os dentes de frustração.

Mestre Zou, visivelmente tenso, se aproximou de Annchi, enquanto os outros observavam em silêncio.

— O que queria, Jovem Mestre Zou? — perguntou Annchi, seu olhar fixo nele.

Mestre Zou engoliu em seco antes de falar, tentando encontrar as palavras certas.

— Annchi, eu... eu desejo cancelar nosso casamento — começou, sua voz vacilando.

Annchi ergueu uma sobrancelha, fingindo surpresa.

— E por qual motivo, Jovem Mestre Zou? — perguntou, com um tom de desdém mal disfarçado.

Mestre Zou hesitou, seus olhos buscando algum apoio em Mestre Jiang, que permaneceu em silêncio apenas se divertindo com a situação.

— Eu... eu acredito que não somos compatíveis. Manter esse casamento é muita humilhação — disse finalmente, a voz determinada.

Annchi permaneceu impassível, seu olhar perfurante fixo no de mestre Zou.

— Entendo. Como o Jovem Mestre Zou mesmo falou, para a primeira filha do Clã Xiao manter o casamento com o Clã Zou, é de fato uma humilhação, estou feliz que reconhece sua posição — Annchi com um tom de zombaria, mas internamente sentindo uma onda de satisfação ao ver o desconforto e a raiva de Zou.

— Não estava me referindo a isso — respondeu o Jovem Mestre Zou, com uma mistura de vergonha e embaraço.

Annchi soltou uma leve risada, carregada de desdém sendo acompanhada por Jiang.

— Pois bem. Dado o motivo, eu assino o cancelamento do casamento — Annchi disse determinada 

A tensão no salão era palpável. Mestre Zou parecia prestes a protestar, mas mestre Jiang interveio calmamente.

— Senhorita Annchi, serei testemunha dessa quebra de compromisso

Annchi manteve sua postura ereta e digna.

— Obrigado, Jovem Mestre Jiang.

Com essas palavras, ela assinou o documento confirmando que estava cancelado o contrato de casamento entre o Clã Xiao e o Clã Zou.

— Jovem Mestre Zou, gostaria de dar uma volta e apreciar a vista do pátio? — Xiao Ome perguntou, desavergonhada, deixando Xiao Ina envergonhada perante o marido, e até mesmo a Matriarca se assustou.

O casamento entre clãs acabara de ser cancelado, mas a segunda filha já estava flertando com o ex-prometido de sua irmã.

— Claro, podemos dar um passeio — Jovem Mestre Zou concordou, com malícia.

— Sendo assim, a senhorita Annchi me acompanha para uma caminhada? — Jiang perguntou, deixando Annchi em alerta.

— Claro, Jovem Mestre Jiang, estou à disposição — Annchi respondeu, afinal, ainda precisavam finalizar os negócios pendentes.

Annchi e Jiang se afastaram do grupo, seguindo pelo caminho do jardim, desacompanhados dos servos. Enquanto caminhavam, a tensão entre eles era palpável. Jiang rompeu o silêncio primeiro.

— Trouxe as ervas que me pediu — Jiang começou, tentando quebrar o gelo.

Annchi suspirou, olhando para o pátio.

— Não se preocupe com isso, Jiang. Poderia me emprestar 5 mil Taels de ouro? — ela foi direta.

Jiang franziu o cenho, surpreso com o pedido direto.

— Nossa relação chegou a esse nível? — perguntou, um tanto desconcertado.

— Ter um dos meus serviços por esse preço é uma sorte muito grande — respondeu Annchi, mantendo sua postura firme.

Jiang assentiu, avaliando como poderia ganhar vantagem.

— Sendo assim, o que pode me oferecer? — ele perguntou, curioso.

Annchi parou de andar, virando-se para encarar Jiang. Seus olhos mostravam desinteresse.

— Do que precisa? — ela perguntou, desafiadora.

Jiang assentiu, entendendo perfeitamente.

— Meu antídoto — Jiang respondeu, firme.

Annchi sorriu, um sorriso triste, mas sincero.

— Mesmo tendo as ervas e a receita, você só pode tomar o antídoto quando estiver em crise, ou não irá funcionar.

— Então não há nada em você que eu queira — Jiang disse, dificultando as negociações.

— Sendo assim, obrigado pelo seu tempo — Annchi respondeu, pronta para se afastar.

— Você é muito impaciente — Jiang comentou, provocando-a.

— Você não me diz o que quer? — Annchi retrucou, intrigada.

— Então, você me daria o que eu pedisse? Se eu quiser seu corpo? — Jiang disse, provocando ainda mais.

— Diria que teria que me mostrar o seu primeiro. Tenho que avaliar se não seria uma perca do meu lado — Annchi respondeu, de forma desafiadora.

— Hahaha, você, dentre todas as mulheres, é a primeira que me diz isso — Jiang comentou, admirando a franqueza dela.

— Obrigada — Annchi respondeu, sem recuar.

— Sendo assim, me mostre algo que faria com que eu te desse esse dinheiro — Jiang sugeriu, interessado.

— Me encontre no dia que levar a Yui — Annchi propôs.

— Aguardo ansiosamente — Jiang respondeu.

— Não espere tanto — Annchi rebateu — venha vou lhe mostrar algo interessante 

Os dois se entreolharam, um desafio silencioso pairando entre eles. A tensão era clara enquanto continuavam a caminhar pelo jardim, cada um avaliando as intenções do outro.

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― Xiao Ina, como você educou sua filha, para ela estar tão desesperada atrás do ex-noivo da irmã? ― disse a matriarca Daif, com raiva evidente no rosto.

― Desculpe, mãe. ― respondeu Xiao Ina, com a voz trêmula e os olhos cheios de culpa. ― Xiao Ome ainda é nova. Deve ter feito isso sem intenções.

― Que bom que o jovem mestre Jiang também convidou Annchi para um passeio, ou isso seria realmente vergonhoso. ― disse Xiao Kishi, tentando aliviar a tensão, mas com uma nota de preocupação.

― Isso não é desculpa! ― gritou a matriarca Daif, sua fúria crescente refletida no olhar severo. ― A juventude dela não justifica essa vergonha. Não posso tolerar essa desonra!

― Xiao Ina, ― disse Xiao Kishi, com preocupação e firmeza, a voz carregada de urgência. ― é crucial que você eduque bem a Xiao Ome. Não podemos perder a face da família por causa de suas ações impulsivas.

― Eu entendo, Kishi. ― respondeu Xiao Ina, com profundo remorso, os olhos marejados. ― Vou conversar seriamente com ela. Prometo que não deixarei que isso aconteça novamente.

― Espero que sim. ― concluiu a matriarca Daif, com um olhar frio, mas menos severa. ― Nossa honra é preciosa demais para ser manchada por imprudências juvenis.

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